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    COMUNICAÇÃO HUMANA

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    COMUNICAÇÃO HUMANA

    Mensagem por Ricardo em Sex Ago 21, 2009 11:05 am

    Toda a história do homem sobre a terra constitui permanente esforço de comunicação. Desde o momento em que os homens passaram a viver em sociedade, seja pela reunião de famílias, seja pela comunidade de trabalho, a comunicação tornou-se imperativa. Isto porque somente através da comunicação os homens conseguem trocar idéias e experiências. O nível de progresso nas sociedades humanas pode ser atribuído, com razoável margem de segurança, à maior ou menor capacidade de Comunicação entre o povo, pois o próprio conceito de nação se prende à intensidade, variedade e riqueza das comunicações humanas.

    A própria sociedade moderna pode ser concebida como a resultante do aperfeiçoamento progressivo dos processos de comunicação entre os homens - do grunhido à palavra, da expressão à significação. A comunicação humana nasceu, provavelmente, de uma necessidade que se fez sentir desde os mais primitivos estágios da civilização.

    Esta afirmação nos leva a repensar a importância da comunicação, da linguagem verbal e não verbal, do processo de emocionar-se e expressar ou disfarçar as emoções nos diálogos, quer sejam empresariais ou não. Numa empresa muitos prejuízos, às vezes, são causados pela má compreensão, pela diferença de linguagem entre aquele que planeja e aquele que executa a tarefa prescrita. Para realizar uma tarefa o trabalhador decodifica a tarefa descrita, provavelmente de uma forma diferente da pessoa que a descreveu, envolvendo suas próprias emoções e fazendo uso de seu próprio mapa mental, de seu banco de dados (crenças, valores, conhecimentos, cultura, experiência de outras tarefas, etc). Neste espaço que envolve um transmissor e um receptor da mensagem é que podem residir os grandes problemas. Cada uma das pessoas, conforme dissemos, decodifica as mensagens de uma forma especial, diferenciada. Muitas vezes prescrevemos uma tarefa, considerando a nossa representação mental, a nossa linguagem, a forma como decodificamos essa prescrição e desconsideramos a pessoa que realmente vai executar a tarefa e concluímos que a falha, o erro está na pessoa que realizou a tarefa, que ela é que não entendeu o que foi transmitido.

    Segundo Wisner (1994), o inventário das diferenças entre atividades reais e atividades prescritas é extremamente útil para descobrir tudo que é difícil, ou até impossível de realizar no trabalho prescrito ou que foi mal compreendido. É isto que nos leva a pensar na importância da comunicação, da linguagem verbal e não verbal para minimizar possíveis falhas neste processo.

    O conteúdo e o contexto de uma comunicação se combinam para confirmar o significado. O contexto é o cenário total, o sistema completo que o envolve.

    Umas poucas palavras bem escolhidas e ditas no momento certo podem transformar a vida de uma pessoa. A comunicação é um relacionamento e não uma transferência unilateral de informação. Ninguém pode ser professor sem alunos, ou vendedor sem clientes, ou terapeuta sem pacientes. Agir com sinceridade e sabedoria significa levar em consideração as relações e interações entre nós e os outros.

    A linguagem tem poder. É importante que tenhamos certeza de que estamos dizendo o que realmente queremos dizer, compreendendo da maneira mais clara possível o que os outros querem dizer e permitindo que eles compreendam o que queremos dizer.

    Segundo o ditado popular, as palavras não custam caro. Na verdade, não custam nada. No entanto, tem o poder de evocar imagens, sons e sentimentos no ouvinte ou leitor, como sabem muito bem os poetas e os publicitários. Podem iniciar ou terminar relacionamentos, destruir relações diplomáticas, provocar brigas e guerras. Palavras podem nos colocar em estados positivos ou negativos; são âncoras para uma série complexa de experiências. Portanto, a resposta à pergunta " O que significa realmente uma palavra ?" gera outra pergunta :" Para quem ?"

    A linguagem é um instrumento de comunicação e portanto, as palavras significam aquilo que as pessoas convencionam que elas signifiquem. Sem a linguagem, não existiria a sociedade como a conhecemos.

    "Mas a glória não significa um argumento arrasador", contestou Alice.

    "Quando uso uma palavra", disse Humpty Dumpty num tom de desprezo, "ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique - nem mais nem menos."

    "A questão", ponderou Alice, "é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes."

    "A questão", replicou Humpty Dumpty, "é saber quem é que manda - é só isso."

    (Através do espelho e o que Alice encontrou lá: Lewis Carral)
    Confiamos na instituição de pessoas que falam a mesma língua e no fato de que nossa experiência sensorial é suficientemente semelhante para que nossos mapas comunicacionais tenham muitas características em comum. Sem essas características, as conversas não teriam sentido e todos seríamos como Humpty Dumpty da história de Alice. Mas não compartilhamos o mesmo mapa. Cada pessoa vivencia o mundo de uma maneira muito específica e portanto, expressa-o também, de uma forma muito específica.

    Para Hjelmslev (1975), "a linguagem –a fala- é uma inesgotável riqueza de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela seu pensamento, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base última e mais profunda da sociedade humana."

    As palavras não tem um sentido inerente, como fica claro quando ouvimos uma língua estrangeira que não compreendemos. Damos sentido às palavras por meio de associações ancoradas a objetos e experiências no decorrer de nossa existência. Nem todas as pessoas vêem os mesmos objetos ou têm as mesmas experiências. O fato de outras pessoas terem mapas e significados diferentes é que dá riqueza e variedade à vida. Todos concordamos com o significado da palavra "pudim" porque todos já compartilhamos a visão, o cheiro e o paladar do pudim. Mas discutimos bastante a respeito do significado de algumas palavras abstratas, tais como respeito, amor e política. As possibilidades de confusão são imensas. Essas palavras, são como determinados testes, cujas imagens tem significados diferentes, dependendo da pessoa que vê. Isto sem mencionar coisas como a falta de atenção, de empatia, de clareza, ou a incapacidade mútua para compreender algumas idéias. Como sabemos que compreendemos outra pessoa? Quando damos significado às palavras que ela usa - nosso significado, não o significado dela. E não há garantia de que esses significados sejam iguais. Como damos sentido às palavras que usamos? Como escolhemos as palavras para nos expressar? E como as palavras estruturam e expressam nossas experiências?

    Duas pessoas que dizem que gostam de ouvir música podem descobrir que tem muito pouco em comum quando souberem que uma gosta de música clássica enquanto a outra gosta de rock. Se dissermos a um amigo que passamos o dia relaxando, ele pode imaginar que ficamos sentados numa cadeira de balanço, vendo televisão a tarde inteira. Mas se souber que na verdade jogamos squash e depois demos uma longa caminhada pelo parque, ele poderá pensar que somos malucos. Também poderá pensar como é possível que a mesma palavra, "relaxamento", possa ser usada para expressar duas coisas tão diferentes.

    Na maior parte das vezes, damos às palavras significados suficientemente parecidos para que haja uma compreensão adequada. Mas há momentos em que é muito importante que a comunicação seja precisa como no contexto de relacionamentos íntimos ou de acordos de negócios. Queremos ter certeza de que a outra pessoa partilha conosco o mesmo significado, queremos saber o significado da palavra no seu mapa mental e também que ela expresse esse significado, o mais claramente possível.

    A linguagem é um filtro poderoso de nossa experiência individual. Ela faz parte de nossa cultura e é difícil de ser modificada. Canaliza nosso pensamento em direções específicas, tornando mais fácil pensar de algumas maneiras e mais difícil pensar de outras. Os esquimós tem muitas palavras para "neve". Como a vida deles pode depender da identificação correta de um certo tipo de neve, eles precisam saber diferenciar entre a neve que pode ser ingerida, a neve que pode ser usada na construção, etc.

    Os povos hanuoo, da Nova Guiné, tem um nome para cada uma das noventa e duas variedades de arroz que possuem. Trata-se de uma questão extremamente importante para a economia do país. Provavelmente eles não tem uma palavra sequer para designar hamburger, enquanto que em inglês existe pelo menos uma dezena delas. Também temos mais de cinqüenta modelos de carro devidamente designados. A linguagem faz distinções sutis em algumas áreas e não em outras, dependendo do que é importante naquela cultura. O mundo é tão rico e variado quanto desejarmos que ele seja, e a linguagem que herdamos desempenha um papel fundamental para direcionar nossa atenção para algumas partes dele e não para outras.

    Palavras são símbolos para a experiência sensorial, mas a experiência não é a realidade e o mundo não é a experiência. A linguagem está, portanto, muito distante da realidade. Discutir o verdadeiro significado de uma palavra é como discutir que um cardápio tem um gosto melhor do que o outro, porque preferimos os pratos que constam dele. Pessoas que aprendem outras línguas quase sempre dizem que houve uma mudança radical na maneira como passaram a perceber o mundo.

    Linguagem é comunicação. Personalidade é comunicação. Cada palavra, cada gesto é ação comunicativa, assim como é comunicação cada página do livro, cada folha de jornal, cada som de receptor de rádio, cada imagem de televisão. Estamos imersos num oceano de comunicação e não se vive um instante fora dele.


    Fonte: http://www.eps.ufsc.br/disserta99/berger/cap2.html


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    Ricardo Avelino
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