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    ESTUDOS SOBRE O TEXTO/DISCURSO

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    ESTUDOS SOBRE O TEXTO/DISCURSO

    Mensagem por Ricardo em Sex Ago 21, 2009 11:09 am


    Os estudos sobre línguas maternas e estrangeiras, delineados com base em uma perspectiva funcional, interativa, e interdisciplinar, fazem voltar o pensamento às duas posturas tradicionais sobre a linguagem: a linguagem como sistema formal e a linguagem como sistema de significados que se codificam formalmente. As atuais disciplinas que tratam da análise da linguagem passam a priorizar o estudo do significado e da forma em relação com o significado, fazendo com que a gramática identifique o texto/discurso como unidade de linguagem em uso.
    Uma ampla gama de áreas temáticas centradas no texto/discurso ou que veiculam propostas de estudos em torno do texto/discurso abrem diversas possibilidades de pesquisa. No caso das línguas maternas e estrangeiras, a prática da leitura e da produção textual, em todos os níveis, contempla as diferentes modalidades textuais e discursivas, com vistas ao aprimoramento de habilidades de produção e compreensão oral e escrita. O estudo da gramática se organiza em função do texto/discurso numa visão da língua em uso, e a prática da leitura e da produção de textos e discursos de diversos gêneros responde à noção de "adequação comunicativa".
    Todo texto se apresenta como uma "configuração regulada por diversos planos em constante interação" (ADAM, 1999: 39) e, por sua vez, tais planos estão constituídos de unidades que mantêm uma interação permanente, regular, mas também, assimétrica (ADAM, 1999).

    Escapando a uma definição banalizada da palavra texto e seguindo a linha de raciocínio de Fiorin (2006), o texto não deve ser entendido como um amontoado de frases com significados autônomos, i.e., os significados das partes de um texto não podem ser considerados de forma isolada e sim, dentro de correlações que vão se articulando internamente para criar uma trama de sentido. "Todo texto contém um pronunciamento dentro de um debate de escala mais ampla" (FIORIN, 2006:13). "[...] é nos textos e pelos textos que o aluno vai adquirir a competência de operar criativamente, com os dados armazenados, um tipo de saber cada vez mais raro na contemporaneidade e que precisa ser recuperado" (FIORIN, 2002:3).
    Para atingir os objetivos das novas tendências curriculares, é preciso desenvolver metodologias de ensino de texto nas quais as questões teóricas sejam adotadas como um conjunto de opções disponíveis para serem aplicadas na análise do funcionamento concreto da língua. Os recursos gramaticais são, então, alternativas às quais o falante recorre quando produz um texto, sendo que ele "é uma unidade semântico-pragmática e está determinado a partir do uso" (MARTÍN MENÉNDEZ,2006:15).

    Abordando o conceito de texto em uma concepção interacional, KOCH (2002:17) afirma que o texto pode ser considerado o "próprio lugar da interação" e o sentido de um texto é construído na interação texto-sujeitos ou texto-co-enunciadores, i.e., o texto não preexiste a essa interação. A autora conclui que a ciência do texto está, cada vez mais, intensificando o diálogo com as demais ciências, e não apenas com as ciências humanas. Através da construção do sentido do texto desvendam-se as funções da linguagem; "o uso da linguagem e a produção de textos se fazem na interação" (MOURA, M.H., 2006: 15).
    Utilizar a linguagem é, enfim, interagir a partir do intercâmbio de textos. Vem daí, a necessidade de propiciar aos alunos condições para o desenvolvimento de competências, habilidades e estratégias lingüístico-textual-discursivas para a produção, compreensão e interpretação de textos orais e escritos, oportunizando o desenvolvimento do senso crítico, ético e estético.
    Conforme pode ser visto a seguir, os estudos do texto são realizados a partir de diferentes caminhos teóricos, construídos ou seguidos por reconhecidos lingüistas.
    Dentre os possíveis modelos de gramática textual a proposta de M.A.K. Halliday se insere em uma teoria lingüística sistêmico-funcional, que, conforme o autor, é em si mesma uma teoria social. Para Halliday, o significado se realiza na linguagem em forma de texto e se configura conforme o contexto situacional. O texto é considerado como um produto e um processo; como uma entidade semântica; como uma forma de intercâmbio social de significados (Halliday, 1989).
    Por sua parte, Beaugrande (1983), outro estudioso da Lingüística Textual, define o texto como um fato comunicativo que consta de determinados critérios para definir sua textualidade: a coesão e a coerência, a informatividade, a situacionalidade, a intencionalidade, a aceitabilidade e a intertextualidade. Conforme o autor, a ciência dos textos requer noções próprias, dada a natureza de seu objeto de estudo.
    O ponto de partida de Van Dijk no desenvolvimento de uma teoria textual foi a incorporação e adaptação das noções gerativistas na organização do discurso, tais como as de estrutura profunda e superficial - macro e micro-componentes textuais - bem como as de transformações macro e micro-textuais (Van Dijk, 1995).
    Em uma outra direção, Adam (1996:12), no seu estudo sobre a estrutura da composição nos textos, define o texto como um objeto de estudo de difícil delimitação metodológica e argumenta que a tipologia seqüencial apresentada no seu artigo constitui apenas um ponto de vista parcial sobre um objeto totalmente heterogêneo. Para o autor, um texto pode ser considerado "como uma configuração regulada por diversos módulos ou sub-sistemas em constante interação"; uma estrutura hierárquica complexa que comporta seqüências do mesmo tipo ou de tipos diferentes (Adam (1992:21;34).
    Com base na proposta estruturalista, a Teoria da Argumentação na Língua inicialmente desenvolvida por Oswald Ducrot e Jean-Claude Anscombre, e atualmente continuada por Oswald Ducrot e Marion Carel, com a versão técnica dos Blocos Semânticos, é um modelo que se propõe estudar a linguagem tendo como unidade de sentido o enunciado. Um enunciado é a realização de um encadeamento argumentativo que é, por sua vez, uma unidade semântica. Para Ducrot, o sentido de um enunciado pode ser definido apenas na inter-relação com outros enunciados, i.e., no discurso. Ao longo do percurso teórico de Ducrot, encontram-se conceitos relativos a texto e a discurso; o primeiro relacionado com a entidade abstrata e o discurso concebido como a realização do texto.
    Outra proposta teórica que tem por objeto de estudo o texto é a Semiótica. Sob o enfoque de uma teoria semiótica, um texto define-se pela sua estruturação, como "um todo de sentido", i.e., como objeto de significação; mas também como objeto de comunicação mediante as relações que se estabelecem entre um destinador e um destinatário. Em outros termos, o texto só pode ser concebido nessa dualidade que o define (Barros, 1990).


    Fonte: http://www.pucrs.br/edipucrs/online/pesquisa/pesquisa/artigo12.html


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    Ricardo Avelino
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